Saúde

Maior estudo epidemiológico sobre a Covid-19 será retomado pelo Ministério da Saúde

Coleta de dados do Epicovid 2.0 está prevista para iniciar ainda no primeiro semestre, em 133 cidades

Daniela Xu - Especial DP - A previsão é de que a coleta de dados comece ainda neste primeiro semestre, nas mesmas 133 cidades que fizeram parte das edições anteriores do Epicovid

O maior estudo epidemiológico sobre Covid-19, no Brasil, será retomado pelo Ministério da Saúde. Para avaliar a real dimensão da pandemia no país, o Epicovid 2.0 irá centrar as atenções em quatro pontos: vacinação, impactos sobre a vida das famílias, histórico de infecção pelo coronavírus e sintomas de longa duração. A previsão é de que a coleta de dados comece ainda neste primeiro semestre, nas mesmas 133 cidades que fizeram parte das edições anteriores do Epicovid, entre 2020 e 2021. Os 133 municípios estão espalhados por todos os estados brasileiros. Serão entrevistadas 250 pessoas por cidade, em um total de 33.250 participantes.

“A retomada do EPICOVID 2.0 é necessária para o Brasil finalmente ter dados confiáveis sobre os impactos da pandemia de Covid-19. O estudo original era a principal fonte de informação para a população sobre a disseminação da Covid-19 no país, até ser censurado e boicotado pelo Ministério da Saúde”, destaca o coordenador-geral, o epidemiologista Pedro Curi Hallal, que seguirá à frente do trabalho, junto a pesquisadores que já integravam o grupo e a outros nomes que ganharam destaque com seus estudos durante a pandemia.

A secretária de Vigilância em Saúde e Ambiente, Ethel Maciel, reforça que o Ministério da Saúde voltou a colocar a ciência como a grande mobilizadora para a instituição de políticas públicas. “Com a pesquisa, teremos dados para nos orientar. Hoje, por exemplo, não temos nenhuma estimativa sobre qual é o impacto da Covid-19 longa, ou seja, as sequelas da doença na nossa população”, explica. A partir das informações, o governo federal poderá, então, ampliar serviços como atendimento cardiológico, neurológico, fisioterapia e assistência em saúde mental.

O investimento para implementação do estudo será de mais de R$ 8 milhões. A coordenação estará a cargo da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), através do Centro de Epidemiologia.

Confira os 4 focos da nova pesquisa (*):

– Vacinação contra Covid-19: cobertura inicial, cobertura das doses de reforço, percepção sobre a segurança e efetividade da imunização e conhecimento sobre a vacina são alguns dos pontos a serem observados.

– Impactos da pandemia: estimativa da quantidade de órfãos, percentual da população com perda de familiar de primeiro grau durante a pandemia, reflexos sobre emprego e trabalho e impactos sobre a renda domiciliar, sobre a educação de jovens e adultos e também sobre a saúde, incluindo a saúde mental, serão aspectos analisados.

– Histórico de infecção por Covid-19: autorrelato de infecção pelo SARS-CoV-2, condutas preventivas adotadas, medicamentos consumidos, sintomatologia e intensidade dos sintomas, assim como busca e acesso aos serviços de saúde integram o questionário.

– Covid-19 longa: manutenção de sintomas por longos períodos e consequências sobre saúde, emprego, educação e relações sociais também fazem parte da coleta de dados.

(*) Os domicílios e as pessoas entrevistadas serão definidos por sorteio.

Relembre os principais resultados obtidos na 1 edição do EPICOVID-19:

– A quantidade de pessoas infectadas era três vezes maior do que os dados oficiais.

– O risco de infecção era o dobro nos 20% mais pobres do que nos 20% mais ricos.

– Os indígenas tinham risco quatro vezes maior de infecção do que as pessoas brancas.

– O sintoma mais comum de Covid-19, no começo da pandemia, era perda de olfato ou paladar.

– Crianças tinham o mesmo risco dos adultos de infectar-se, embora a gravidade da doença fosse menor entre elas.


Carregando matéria

Conteúdo exclusivo!

Somente assinantes podem visualizar este conteúdo

clique aqui para verificar os planos disponíveis

Já sou assinante

clique aqui para efetuar o login

Estado firma parceria com IMDS para qualificar projetos da educação e primeira infância Anterior

Estado firma parceria com IMDS para qualificar projetos da educação e primeira infância

Secretaria da Agricultura conduzirá inquérito inédito sobre saúde de abelhas Próximo

Secretaria da Agricultura conduzirá inquérito inédito sobre saúde de abelhas

Deixe seu comentário